"As únicas coisas baratas aqui são banana e pinga." - Lucas Pimenta
Não existe desenvolvimento, cultura e segurança no Brasil. Se você os quer, tem que pagar por isso.
Eu não assisto Globo. Eu não utilizo meu aparelho de som para sintonizar estações de rádio. Eu não ouço a "MPB" contemporânea, absolutamente odeio Roberto Carlos, Erasmo et cetera. Eu não vou a eventos de grande porte em parques de exposição, e tomei a convicta decisão de não frequentar o Cultural (casa de shows de minha cidade que já foi palco de muitos shows alternativos nos "bons tempos", mas que hoje em dia só tem shows do de "MPB" a preços estratosféricos). Eu quando leio a Veja é num consultório médico e cada palavra ali é absorvida com a polaridade invertida, desconfio até das vírgulas. Mais importante: Ao contrário do que estão tentando vender à massa, eu não acredito que o país esteja caminhando rumo a uma significante melhoria social, contudo acredito que nunca se fez tanto dinheiro na história do Brasil.
Eu estou começando a achar que deveria se escrever BraZil. pense comigo: tudo que temos, vemos, ouvimos, e todo o modus-operandi da nação são inspirados - pra nao dizer copiados - no american way of life. OK, até aí nada de novo, disso todo mundo já tá cansado de saber, mas o motivo pelo qual eu mencionei isso é para elucidar o próximo parágrafo, e isso pode vir como um choque para muitos: Eu sou um patriota, mas eu odeio este país. Eu sou um Brazileiro. Imitamos muito mal os norte americanos, somos realmente ruins em copiá-los e nisso mora minha indignação.
Segurem as pedras, os molotovs e não comecem a digitar ainda. Acalmem seus ânimos com um parágrafo que se encaixaria numa crônica do Zeca Baleiro:
Você pega seu carro que custou 2,5 vezes mais que custaria nos 1o mundo, sai de seu condomínio fechado e vai em dreção a um festival de música no parque de exposições da sua cidade; no caminho você passa por 3 favelas, 1 blitz, 10 engarrafamentos e a cada sinal encontra um pivete querendo te vender alguma coisa, sendo que no último esse pivete é um craqueiro que ainda por cima te ameaça. Seu temperamento é abrandado por uma musiquinha legalzinha que toca na Transamérica. Entre uma música e outra drops de notícias do caso Cachoeira, Dilma peitando Obama a favor de Cuba, e obras atrasadas para a Copa. Você chega no festival, paga uma fortuna de estacionamento, a grande atração da noite é Jota Quest, a cerveja patrocinadora é a Skol (eu não consigo entender como só vende um tipo de cerveja em eventos desse tipo, uma vez que todas são da Ambev). O show começa e você se emociona com "A obrigação da tua voz é estar aqui... No ouvido do meu coração" e vai pra casa feliz da vida. Mais 1 craqueiro, 9 pivetes, 10 engarrafamentos, 1 blitz - na qual vc morre uma grana pro pm por dirigir alcoolizado, 3 favelas.
Reflita nisso por alguns segundos, mesmo se você não fizer isso, e como eu, achar Jota Quest uma afronta à inteligência de qualquer indivíduo.
Agora analize bem este parágrafo. Vivemos num país onde todos os produtos são super-taxados, a segurança é um bem caríssimo, a diversão é acéfala, a distribuição de renda é ridícula, temos um sério problema de drogas em todas as cidades, as pessoas se distraem facilmente com qualquer bobagem que toca no rádio, a música veiculada é em sua plenitude fruto de jabá pago por 3 ou 4 famílias que dominam o mercado musical do país, as notícias lhe são passadas, mas você não faz nada, e ainda por cima continua votando em quem sempre votou. Você é o culpado por o Brasil estar do jeito que está. Você aceita pagar as pesadíssimas taxas e impostos sobre os produtos e não questiona para onde vai esse dinheiro. Somos uma das 10 maiores economias do mundo há anos. Saúde, educação e segurança deveriam ser serviços providos pelo país, mas ao invés disso você paga por eles. Paga em dobro. Toda a noção de desenvolvimento e estilo de vida que temos vem de fora, mas ao abrasileirarmos isso com nossa diminuta capacidade de sermos honestos, com os outros e com nós mesmos, nos levou aonde estamos. Olhe a sua volta, tudo está errado.
Nós deveríamos com o PIB que temos ter um estado de desenvolvimento de primeiro mundo, mas a classe média, comodista, cria a versão brasileira do primeiro mundo em seu bairro, estupidamente aceitando gastar
Nós deveríamos com o PIB que temos ter um estado de desenvolvimento de primeiro mundo, mas a classe média, comodista, cria a versão brasileira do primeiro mundo em seu bairro, estupidamente aceitando gastar
muito dinheiro com isso.
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